Mais um contributo de uma colega , demonstrando o caos que neste momento acontece nas escolas.
Pediram a divulgação e aqui vai para quem tiver interesse no tema.
Enviada: terça-feira, 21 de Outubro de 2008 15:49
Subject: Divulguem junto dos alunos e dos pais
Aos Alunos, Professores E Associações De Pais
- Porque é bom estar precavido contra as informações, tantas vezes
falaciosas, dos media e a campanha enganadora, folclórica, do ME …
- Porque, sobretudo, todos queremos o bem dos nossos alunos / dos
nossos filhos, e uma escola pública de qualidade, impõe-se uma
reflexão, e uma divulgação:
Por que razão acabam os alunos tão prejudicados por estes modelos
educativos, por este processo de avaliação dos seus professores?
1. desde logo, as passagens quase administrativas que se antevêem (e a
ministra apregoa sem pudor) e que mais tarde conduzirão esta geração
(que, ainda por cima, vai competir com alunos de países europeus que
levam a educação muito a sério)- apenas – ao desemprego.
Passagens essas (as estatísticas do sucesso), convém saber, que
condicionam a avaliação dos professores e a cujo apelo apenas alguns
(muito poucos) resistirão.
2. os Cursos de Educação e Formação (CEFS) em que o aproveitamento dos
alunos que os integram (os que não conseguem ou não têm apetência por
frequentar um curso de currículo ‘normal’) é um ‘dado adquirido’ – e
exigido pela tutela, seja qual for o nível das suas aprendizagens
(normalmente zero, não nos iludamos…) .
Em que estes alunos, conscientes da inimputabilidade dos seus
comportamentos e do ’sucesso’ que lhes é, à partida, garantido,
inviabilizam sistematicamente qualquer tentativa de se lhes ensinar o
que quer que seja, fazem gala em evidenciar uma total ausência de
empenhamento ou de interesse (seja pelo que for) e transformam a vida
dos seus professores num inferno.
Futuro, mais que previsível – assegurado, para estes alunos: o
desemprego, eventualmente a marginalidade
3. prejudicados, também (e muito!!) virão (estarão já) a ser, todos os
alunos, pelo estado de exaustão em que se encontram os seus
professores (e ainda agora começámos o ano lectivo), resultante de um
processo burocrático que lhes consome tempo e energias para
actividades alheias ao trabalho das aulas, por horários de permanência
na escola para além de qualquer limite razoável e sem condições
mínimas de trabalho, que os impedem de fazer aquilo que
verdadeiramente interessaria: preparar aulas e materiais de apoio às
aprendizagens dos seus alunos – em casa – que é onde melhor o fazem
(onde sempre o fizeram…) , pura e simplesmente porque é aí que têm as
condições necessárias.
Desta exaustão dos professores decorrem consequências inevitáveis:
- as aulas mal preparadas ou improvisadas
- a falta de paciência para com os alunos
- a demora na entrega dos testes e outros trabalhos
- a falta de saúde que se seguirá (que está já a afectá-los…)
É bom que se saiba que grande parte dos professores deste país já só
se ‘aguenta’ à base de antidepressivos, ansiolíticos, calmantes, e ..
cafés. Que grande parte vem tendo já muita dificuldade em dormir.
Avaliem, então, do estado em que estarão, quando lidam com os vossos
filhos…
É bom que se saiba, também, o que todos nós, professores (se calhar de
todas as idades), já receamos: mais cedo ou mais tarde, ou ficamos de
baixa, ou morremos! E não, não é exagero! (antes fosse.) Já no ano
passado, foram inúmeros os casos de AVC a meio da aula, os casos de
‘n’ professores a terem de ser assistidos nas urgências dos hospitais
porque a tensão arterial de repente ‘disparou’, em resultado do
stress, do excesso de trabalho, do desgaste em que se traduzem horas e
horas improdutivas passadas na escola , e das campanhas difamatórias
a que vêm sendo sujeitos desde que esta equipa ministerial entrou em
funções.
Então … parece-me claro: o futuro dos nossos alunos (e temo que
próximo, muito próximo) só pode ser este: turmas e turmas sem aulas
porque o professor ‘rebentou’ .
E levará tempo, muito tempo, até que a escola, o ministério, reponham
as baixas. Até que nos substituam por outros masoquistas/
missionários. Esperemos, a bem dos nossos alunos, que não-mercenários.
E não, não haverá Magalhães que lhes valham…
E é precisamente isto, colegas, amigos, mães e pais, que, na minha
opinião, os nossos alunos, os seus Encarregados de Educação, deveriam
saber. E que está nas nossas -nas vossas- mãos explicar-lhes. Já.
Os filhos das classes ‘privilegiadas’ optarão por colégios
particulares. Todos os outros verão o seu futuro seriamente
comprometido: pelo baixo nível de exigência, pelo facilitismo, e pelo
decorrente clima de indisciplina, de violência, que só poderá
agravar-se.
A escola pública portuguesa, que até há bem pouco tempo tinha mais
qualidade e melhores profissionais que a privada, irá brevemente
reproduzir o modelo das escolas americanas que vemos nos filmes. Irá
reproduzir, também, os actos violentos, impensáveis, que ocorrem nas
escolas dos EUA, cujos ecos periodicamente nos chegam, carregados de
horror.
É esta a meta desta equipa, no ME. Em nome da redução do déficit, da
construção de uma imagem eleitoralista, de estatísticas fictícias para
‘Europa ver’.
É este o panorama , o futuro, de que temos, todos, de estar cientes. A
tendência que temos, todos, obrigação de contestar, de inverter. Em
nome dos nossos alunos, dos nossos filhos, dos filhos deles.
Saudações,
Ana Lima