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Ser Professor é…

Abril 7, 2008

A teacher affects eternity he can never tell, where his influence stops.” (Henry Brooks Adams)

O professor tem um papel activo na comunicação do conhecimento (transferindo-o para um formato mais simples de acordo com a audiência) de modo a ser compreendido e ser usado na aprendizagem dos alunos quer em contextos de ensino formal quer em outras opções não formais. O objectivo é tornar o aluno sujeito da aprendizagem e o professor o facilitador e o mediador do processo ensino aprendizagem.

Outro dos papéis do professor é estimular a curiosidade da descoberta das novas abordagens de uma mesma realidade, analisando o seu impacto e sintetizando as suas características, aplicando no dia-a-dia e actualizando sempre que necessário os conhecimentos teóricos subjacentes. Esta permanente “reciclagem” tem de ser um dado adquirido na função docente e que deve transparecer para os alunos de uma forma natural como um constante questionamento e espírito crítico.

As novas exigências tecnológicas exigem um partilhar de linguagens e de conteúdos interactivos no contexto de sala de aula e em ambientes de E-Learning, tendo sempre por finalidade estimular estratégias de aprendizagem e incluir cada aluno levando-o a participar, a apresentar soluções criativas e ideias originais.

Para que o papel do professor “se cumpra” é necessário promover a formação, o debate entre pares e deixar os docentes realizar com sucesso a sua tarefa de promotores da cidadania: preparando aulas e projectos, participando na comunidade escolar e na vida da instituição em toda a sua plenitude.

“It is the supreme art of the teacher to awaken joy in creative expression and knowledge.” Albert Einstein

Todos-os-Alunos-Importam

Abril 6, 2008

Nestes tempos conturbados da Educação em Portugal arrisco-me a questionar o papel dos professores: a falta de relevância dada à profissão docente, as longas horas passadas em tarefas burocráticas, a ausência de formação contínua (cursos ou conferências) porque não é possível despender tempo lectivo para isso, quando todos os outros profissionais têm esse direito. E porque não pretendia ser a única voz (e por isso parcial) neste espaço de discussão iniciei aqui um conjunto de testemunhos, de pessoas que ensinam e acreditam como eu: que todos os alunos importam e por isso há que fazer a diferença na nossa escola, na nossa comunidade e no nosso país…

Começo com o testemunho dos Cem mil professores que fizeram história no passado dia 8 de Março de 2008, em Lisboa, Portugal.

 

 

Testemunhos de professores:

 

João, 45 anos, docente desde 1980

“É simultaneamente uma fonte de tristeza pelas condições actuais de trabalho e pela falta de perspectivas futuras (não aconselho ninguém a escolher esta profissão…) mas também um espaço de luta porque considero que ainda não está tudo perdido.

Infelizmente, acho que muito do essencial já está condenado e esta profissão está condenada à proletarização, com a consequente perda de qualidade dos profissionais. Cada vez mais vai ser professor quem não conseguir ser outra coisa.

Agora pensem como me sinto – eu que escolhi esta profissão – porque me agradava tanto e vejo agora que se está a transformar num pesadelo sem perspectivas de se poder ganhar a vida decentemente e sem condições de conseguir exercer a actividade de forma satisfatória… Comecei a dar aulas em 1980 e apaixonei-me por isto de modo que dediquei a esta profissão toda a minha vida desde essa altura. E agora sai-me este Primeiro-ministro e esta Ministra da Educação na rifa como é que acham que me sinto?

- Sinto-me traído!

- Sinto-me enganado!

Sinto que estão a comprometer o futuro e a felicidade da minha classe profissional e sinto que estão a comprometer o futuro deste país de certeza que daqui a uns anos vão perceber que erraram, mas até lá muito mal vai ser feito e depois não sei se vai dar para endireitar a coisas.

Penso que daqui a 10 anos estamos como no Brasil : dois sistemas  de ensino: um público sem credibilidade e sem qualidade e um privado com grande qualidade e credibilidade.

Mas tanto num como noutro os professores vão ser assalariados tratados como tal, criados a cumprir uma função: num lado a dos escravos gregos que ensinam os filhos da classe dominante, no outro, a dos desgraçados que têm que aturar os feios, porcos e maus dos filhos dos portugueses pobres, feios porcos e maus não me identifica com nenhuma dessas tarefas.

Foi preciso chegar este governo para me fazer querer mudar de profissão e é nessa fase que me encontro actualmente

… Lamento …”

 

Ana, 52 anos, docente desde 1977

 

“O primeiro papel do professor é ouvir os alunos, partilhar o processo de aprendizagem, dando-lhe espaço para crescer e desenvolver-se em plenitude nas vertentes cognitivas, afectivas, psicomotoras nas áreas de formação geral, formação profissional e cidadania. Com esta instabilidade nas escolas e tantos papéis para preencher e tantas reuniões para frequentar passei a não ter tempo de preparar lições interactivas e projectos interessantes. Os alunos ressentiram-se com esta minha faceta transmissiva e teórica, que reflectem os conteúdos do manual que nada têm a ver com a vida e experiência dos alunos e com as suas realidades sociais. Estou cansada de remar contra a maré… Enquanto a Política da Educação não mudar…  Já não me apetece ensinar!”

 

Clara, 23 anos, foi docente pela primeira vez o ano passado – não pensa concorrer

 “Fui docente de Informática e pensava que tinha vocação para ensinar, mas infelizmente na primeira semana de aulas fui colocada numa escola nos arredores de Lisboa e não aguentei a violência e o stress que sentia só de observar a agressividade dos alunos e a indisciplina na sala de aula. Desisti ao final de um mês quando um dos alunos me atirou com uma cadeira, só porque o mandei calar-se e pedir desculpa aos colegas. O Conselho Executivo não me deixou apresentar queixa do aluno em questão e eu nunca mais consegui enfrentar uma turma, até hoje. Deixei de ser professora e actualmente trabalho numa empresa de informática. Desejo a todos os docentes a maior sorte e lamento que seja tão difícil defender a sua dignidade e não tenham mais alternativas profissionais.”

 

Francisco, 32 anos, docente desde 1997

 “Adorava ser professor mas actualmente sinto-me triste, desmotivado e com vontade de abandonar a profissão. Ser avaliado por um colega titular que não tem a minha visão construtivista do ensino aprendizagem que pratico na sala de aula, faz-me recear o pior. Na escola onde lecciono existem umas guerrilhas internas entre o Conselho Executivo e professores mais progressistas, o que me leva a pensar que me irão dar nota negativa. Sinto uma grande instabilidade a todos os níveis e confesso que me esqueço com frequência do meu papel como professor formador e sou cada vez mais professor transmissor, coisa que sempre abominei, mas com esta avaliação me estão a obrigar a fazer… Sinto que estou a renegar as minhas origens e a frustrar as expectativas dos alunos favorecendo a minha própria sobrevivência.”

“It is the supreme art of the teacher to awaken joy in creative expression and knowledge.” (Albert Einstein)